Junho 2008


Há filmes que se consagram pelo final. Talvez esse seja o maior mérito de O Último Rei da Escócia, interpretado magistralmente por Forrest Whitaker. Nele, um jovem médico escocês(James McAvoy), achando sua vida por demais tediosa, embarca em uma viagem à Uganda da década de 70, justamente no período de ascensão do presidente Idi Amin(Whitaker). O presidente acaba se afeiçoando ao médico, tornando-o não somente médico particular, mas seu assessor oficial. Embebecido pelo poder, fama e mulheres, o médico acaba por se aliar ao presidente, mas aos poucos, percebe que debaixo dessa figura aparentemente doce e humilde, se esconde uma faceta cruel e assassina.

Até a parte final, pensei que o filme não teria um resultado muito positivo. Explico: Dese o início, nos deparamos com o personagem do médico(chamado na trama de Garrigan), que é cínico, egocêntrico e está em busca das mais diversas “aventuras”(na maioria sexuais). Inconseqüente, deixa seu pai e mãe por achar a vida em família muito tediosa, revelando um caráter nada heróico ou ético. Ou seja, ele nada tem a nos passar. Envolve-se com uma das mulheres de Amim, esta por sua vez acaba descobrindo-se grávida e quer que Garrigan produza um aborto. Porém, ela perde a confiança na “salvação” de Garrigan e tenta um aborto no hospital oficial da cidade: resultado, é desmembrada pelos capangas de Amim. Aí então é aos poucos que vemos a mudança e arrependimento no caráter de Garrigan, que mesmo lentamente, começa a ver as duras consequências de seus atos.

Um dos maiores problemas do filme é querer passar uma mensagem essencialmente humanística. o personagem de Whitaker de início(na verdade, na grande parte do filme) não é visto como alguém cruel, mas somente alguém que achava estar buscando o certo para seu país (o que não justifica a morte de cerca de 300.000 Ulgandenses). Outro problema são as cenas de sexo, totalmente desnecessárias no filme(na verdade, quem já viu alguma cena de sexo ser importante ou contribua para algo em algum filme?). Porém, no final, há uma surpresa: o personagem de Garrigam recebe uma lição de um importante médico Ulgandense: ele merece morrer pela vida que levou, todavia viverá para revelar ao mundo quem realmente é Amim(infelizmente há o termo “redimir-se” nos diálogos, algo, que tomando o ponto de vista cristão, é algo absurdo), por isso ele viverá, ainda que seu ajudador morra para salvá-lo.

No final, vemos um Garrigan triste e abatido, porém arrependido e muito mais maduro sobre a vida e sobre sua responsabilidade como pessoa.

Apesar das ressalvas, vale a pena dar uma conferida. E é bom ficar segurando o controle para passar as cenas desnecessárias.

Não há dúvidas que o Filme dos irmãos Coen é um dos melhores do ano, boa direção, boas interpretações(um Tommy Lee-jones afiado, acompanhado dos excelentes Javier Bardem e Josh Brolin) e um clima se suspense total, que prende do início ao fim da trama garantem a qualidade da trama. Na história, um xerife(Lee-Jones) corre desesperadamente atrás de Llewelyn Moss(Brolin), um vaqueiro que decobre uma maleta cheia de dinheiro no deserto do texas, onde houve uma dura matança. Atrás do dinheiro está o frio assassino Anton Chigurh(Bardem), que ao descobrir que Llewelyn está com o dinheiro, fazerá de tudo para matá-lo. Nessa perseguição desenfreada, o Xerife Ed Tom Bell fazerá de tudo para guardar Moss com vida, isso se ele conseguir encontrar Llewelyn antes do assassino.

Onde os Fracos Não têm Vez (no título original No Country For Old Men -Sem Pátria para Homens Velhos, em português) mostra um Estados Unidos desolado pelo tráfico de drogas e maldades sem medida, onde antigos caubóis como Lee-Jones, éticos e íntegros não possuem mais forças para lutar, estão velhos demais para enfrentar este novo mundo, cruel e violento. O filme é um convite à reflexão sobre a nossa dura realidade, num mundo dominado pelo pecado. Mas é aí que possui a maior falha do filme: a mensagem do filme busca mostrar a realidade, porém não há lugar para a esperança. Claro que o mundo está conturbado(uma vez que está morto em delitos e pecado e nossa sociedade cada vez mais não atenta para a salvação em Cristo Jesus), mas há uma esperança(O próprio Cristo).

O filme termina com um xerife cabisbaixo, triste, que atenta para o fato de Deus nunca ter entrado em sua vida e tem um lindo sonho com o seu pai, outro xerife ético, porém depois acorda para a realidade. O certo não seria que Tommy Lee-Jones abaixasse a cabeça e deixasse as coisas como estão, mas se levantasse de sua cadeira e perseverasse como homem da lei em um país hipócrita.

Porém, volto mais uma vez para o convite que o filme faz á reflexão. onde vemos qual é o nosso papel dentro de isso tudo, que medidas devemos ter, na verdade, que medida estamos tendo ou não, para mudar esse quadro.

O filme Desafiando gigantes fez um sucesso extraordinário no meio evangélico e recentemente até no meio secular, onde o atacante do fluminense, Whashington, exibiu o filme para os colegas de equipe. Segundo ele, o filme trouxe uma motivação incrível e força para que ele e o time conseguissem enfrentar o São Paulo na Libertadores.

Desafiando Gigantes é um filme simples, sem muitos recursos e produzido por uma igreja nos Estados Unidos. Na história, um técnico de futebol de uma escola que está beira de ser demitido e enfrentando crises pessoais, vê sua vida mudar quando ele e seu time buscam tudo fazer para a Glória de Deus.

Não há dúvidas que o filme fez muito para transmitir o Evangelho(algo muito raro nos filmes de hoje, na verdade, raríssimo). Talvez o grande problema do filme se resume em uma palavra: triunfalismo.

É impressionante o que acontece com a vida do técnico depois de confiar em Cristo como Senhor e Salvador: ganha um carro novo, seu time vence o campeonato por duas vezes seguidas e sua mulher, que era estéril, dá a luz a dois filhos! Não estou dizendo que Deus não pode abençoar seus filhos nem fazer a estéril dar à luz, o problema do filme não é esse, mas sim  negligenciar outros pontos da vida cristã como o sofrimento e até mesmo até derrotas que um crente pode ter em sua vida. Isso é completamente negligenciado no filme. A impressão que existe é que não há mais nenhum tipo de derrota ou aparente derrota na vida do crente, onde Deus faz cumprir a sua vontade e propósito(que muitas vezes não entendemos de início e muitas vezes só entenderemos no céu). Isso não significa que Desafiando Gigantes não tenha méritos(o foco do time e do técnico não é o sucesso pessoal, mas buscar a Glória de Deus em todas as áreas da vida), mas sim que poderia ter sido bem melhor se não negligenciasse a perseverança, fé e até mesmo o sofrimento no qual Deus permite que nós passemos devido Ele ter um bom propósito para nós.

As Crônicas de Nárnia – Príncipe Caspian, que estreou há pouco nos cinemas brasileiros(vide post anterior), possui certos fatores que realçam ainda mais o tema cristão do filme – talvez até mais do que no livro.

Isso se dá por que o diretor Andrew Adamson não somente está mais maduro, mas porque consegue transmitir um clima de certa forma épico e tenso, que lembra um pouco O Senhor dos Anéis – As Duas Torres. Quando os quatro irmãos voltam para Nárnia, encontram desde o início, certa desolação, selvageria e tensão, o que transmite de forma mais intensa visualmente a mensagem alegórica de C. S, Lewis sobre a apostasia da igreja. Onde os irmãos, com exceção de Lúcia, não conseguem ver o Leão Aslam e nem mesmo o buscam. Querem resolver seus problemas com suas próprias forças.

Outro ponto positivo do filme é que certos personagens do livro não aparecem no filme. Enquanto que na obra de C. S. Lewis até o deus mitológico do vinho Baco dá as caras( o que, pelo menos a meu ver, foi totalmente desnecessário),  no filme, ele é excluído.

Então a resposta da pergunta O Filme é melhor que o Livro, seria no caso sim? Talvez seja um exagero afirmar isso, mas por certo, ainda que de forma inconsciente, certos elementos cristãos da história ficaram mais à mostra no filme, mas isso de forma alguma destrói a mensagem do livro, que em certos capítulos e detalhes dá “de dez” no filme (maiores detalhes da vida de Caspian e da história dos Telmarinos são um ponto forte, fora a “perseguição” dos quatro adolescentes atrás de Aslam, onde os três mais velhos começam a acreditar que Lúcia realmente os está vendo).

Isso faz com que Príncipe Caspian – O Filme seja um programa quase obrigatório.

O filme As Crônicas de Nárnia – Príncipe Caspian que estreou semana passada aqui no Brasil já começou bem na bilheteria. Segundo portal G1 o filme desbancou Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal do topo da bilheteria brasileira. O filme é baseado na obra épica do escritor cristão irlandês C. S. Lewis e conta a segunda parte da saga dos Irmãos Pedro, Edmundo, Susana e Lúcia pelo mundo mágico de Nárnia, onde enfrentam os mais diversos perigos e contam com a proteção de Aslam, o criador de Nárnia(uma alegoria de Jesus Cristo). Nesta segunda parte da trama, passaram-se apenas um ano para eles, para Nárnia, já se passaram mais de mil anos e eles precisarão ajudar o príncipe de Nárnia, Caspian, dos adversários que querem devastar Nárnia.

A segunda parte da trama é muito mais violenta, com várias cena épicas e até mesmo cabeças decepadas, porém como se trata de um filme para crianças não há um pingo de sangue em todas as cenas de luta(se bem que nem no Senhor dos Anéis há também, com excessão do sangue negro do Orcs).

Para muitos o filme é uma alegoria da apostasia da igreja sutilmente sugerida por Lewis. Ainda não vi o filme, mas ao que tudo indica, Príncipe Caspian tem tudo para ser um dos melhores filmes do ano.