Novembro 2008



WALL-E (wáli) é o nome do novo filme da PIXAR – aquela empresa que o Steve Jobs comprou e reformulou, enquanto estava de “férias” da Apple, e que lhe gerou mais alguns milhões ao ser absorvida pelos Estúdios Disney (comprada por 10 milhões de dólares, à Lucas Films, foi vendida por 7,4 bilhões, e ele permaneceu como acionista principal!). WALL-E, lançado em 2008, já está fazendo grande sucesso, como fizeram as animações anteriores, que criaram escola, tais como Toy Story (1995, 1999), A Bug’s Life (Vida de Inseto) (1998), Os Incríveis (2004) e várias outras. Andrew Stanton, o diretor-escritor deste filme, declara-se um cristão.

O nome, não somente do filme, mas do ator principal – o robozinho, é na realidade: WALL•E, a sigla para Waste Allocation Load Lifter Earth-Class (que seria traduzível, aproximadamente, para: Organizador e Empilhador de Lixo – Classe Terra). Num futuro remoto, há 900 anos, a terra foi destruída pelo consumismo e lixo produzido pelos humanos. As pessoas navegam, no espaço, em uma gigantesca espaçonave. No planeta ficaram robôs projetados para compactar e empilhar o lixo, mas, aparentemente, eles vão parando até que resta apenas WALL-E, que trabalha ávida e criativamente na tarefa. Sua intensa rotina de trabalho é alegrada por quinquilharias coletadas e levadas para o seu lar – um container de aço, onde uma velha tela aumentada de um I-Pod, toca diariamente trechos do musical “Hello, Dolly!”, um antigo musical de 1969. Sua solidão é quebrada com a chegada, do espaço, de um robô ultra-moderno, EVE (Eva), com uma missão ultra-secreta.

Fora a competência técnica da quase-perfeita animação, WALL-E, aparentemente, seria apenas mais um filme sobre a rebatida questão ecológica, onde os humanos destroem o seu habitat proporcionando uma mensagem politicamente correta para crianças e adultos. E quem poderia ser contra uma mensagem ecológica?

Os cristãos deveriam ser os primeiros a cuidar bem da Terra – afinal temos a convicção do que “Ao Senhor pertence a terra e tudo o que nela se contém, o mundo e os que nele habitam” (Salmo 24.1). O Universo, e mais especificamente o nosso planeta devem receber nossos cuidados. Deus nos delegou (Gn 1.28) o domínio sobre a criação. Sujeitar e dominar a terra não significa exauri-la ou explorá-la completamente, mas penetrando nas ciências e áreas de conhecimento, utilizar o chão, flora e fauna, com propriedade, para o benefício da raça humana. A Terra é, portanto o lar que Deus nos preparou. Somos mordomos de uma criação harmônica que glorifica a Deus (Sl 19). O Povo de Deus é instruído a cuidar da Terra – pois ela nem é dele nem é autônoma – e os princípios agrônomos de descanso à terra (rotatividade das colheitas) está entrelaçado à Lei Cerimonial e Judicial do antigo Testamento.

Confesso, entretanto, que não tenho muito entusiasmo com discursos ecológicos. Talvez isso ocorra porque a maioria de tais palestras, artigos ou livros procuram pintar, injustamente, os cristãos, e seus valores, como predadores do planeta. Enquanto isso os orientais e sua religiosidade são colocados como modelos de preservação ambiental; os índios são utopicamente retratados como aqueles que vivem em paz com a natureza; e por aí vai. Essas alegações não subsistem o mínimo escrutínio ou verificação “in loco”, como prova a poluição intensa da China. Violência ambiental ocorre por puro desprezo a diretrizes divinas; por profundo egoísmo – condenado na Bíblia; por religiosidade inconseqüente e louca – como a encontrada na Índia, com seu defunto e mal-cheiroso, mas religiosamente sagrado, Rio Ganges.

É possível que minha rejeição tenha sido provocada por over-dose de projetos pedagógicos ambientais; anos ecológicos da UNESCO; pronunciamentos em encontros de professores de Autoridades Ecológicas; e tantas outras atividades educacionais às quais tive de presenciar e comparecer, enquanto estive mais proximamente ligado à área de Educação Básica. Essas questões dominam com tal intensidade o conteúdo das escolas, que as nossas crianças já recebem pré-definida a sua prioridade de vida: salvar o planeta – acima de suas obrigações para com Deus, pais, nação, o próximo e até para consigo mesmas.

Ou talvez a ojeriza provenha de uma recusa de aceitar as pílulas ecológicas prontas a serem deglutidas, preparadas pela mídia e pela agenda do Governo; por ministras mártires, ou por bombásticos sucessores de coletes – que não são salva-vidas. Enfim, perante esses estereótipos, os assuntos debatidos ad-nauseam, e a multidão de eco-chatos, tornei-me um deles, no sentido inverso. Falou de ecologia – já estou vacinado, desconfiado e com um pé atrás – tenho mais a fazer (para a preservação do planeta e das baleias, também) …

Era necessário surgir WALL-E para me motivar a sentar durante duas horas por sua saga ambiental e sair da experiência não somente satisfeito e entretido, com as paradoxais expressões e sentimentos demonstrados pelo maltratado robô, mas ponderando sobre as questões e valores levantados pelo filme. Ele é uma forte crítica social ao estágio de letargia, descaso e hedonismo que caracteriza os humanos, não somente os do filme (que aparecerão mais tarde), mas também os de nossa geração.

A primeira coisa que me chama a atenção é o empenho colocado por WALL-E no trabalho, no desempenho de sua missão. É lógico que foi programado para isso, mas no transcorrer do filme o contraste com a preguiça e descuido das pessoas ficará bem evidente. WALL-E tem foco, tem responsabilidade, desempenha o que lhe foi confiado e, os acontecimentos terminam motivando as pessoas a reexaminarem as suas vidas, posturas e prioridades. Apesar de sua seriedade no trabalho, WALL-E não é só isso – ele procura as coisas bonitas ou que entretêm e consegue ser despertado para o lado artístico, criativo e sentimental, que igualmente foram descartados pela humanidade.

WALL-E não está exatamente solitário na Terra. Uma simpática baratinha (as mulheres acharão que isso é uma contradição de termos…) o acompanha em todos os seus passos (ou, já que esse robô não tem pernas, nas voltas de sua esteira). Nessa Terra pós-catástrofe o filme dá guarida à tese, já bastante repetida, que, no advento de um holocausto global “as baratas herdarão a terra” (aparentemente há um tênue respaldo científico para essa suposta resistência das baratas, existindo registros de que elas sobreviveram o bombardeio atômico de Hiroshima e Nagasaki; testes posteriores revelaram que elas suportam 10 vezes mais radiação do que o ser humano – apesar de continuarem impotentes perante o solado de sapato de minha esposa).

Mas a sua solidão é, realmente, quebrada, quando EVE, uma robô de última geração, coletora de alguma coisa, é deixada na terra. Segue-se uma singela história de aproximação e de amor entre WALL-E e EVE. Sem qualquer palavra ou diálogo durante quase metade do filme, podemos testemunhar não somente a timidez de WALL-E, mas pudor, recato – valores que estão muito ausentes de nossas crianças e de nossas famílias. A estranha história de amor dos dois, muito ensina sobre altruísmo, proteção da amada, compartilhamento de belezas e interesses – todos valores cristãos bem registrados por Paulo em 1 Co 13.

Sem diálogos e apenas com a expressão dos olhares, vamos sendo envolvidos na história do robozinho feioso, que “pega”, após recarregar as baterias, com som harmônico do computador MacIntosh, e da robozinha, com aparência de I-Pod, até o contato cheio de aventuras com a nave de humanos que já órbita a Terra há muitos anos, esperando tempos melhores para retornar ao planeta.

O contato não somente dos robôs, mas do espectador, com os humanos revelará uma humanidade totalmente destruída em seu élan. A crítica social é clara e pertinente: o consumismo não somente dominou a todos, mas uniformizou a humanidade em uma massa amorfa, com todos acima do peso; quase sem movimentação própria; ligados 100% na televisão. Nessa sociedade fechada da “arca”, os humanos são tão introvertidos e preocupados em ser servidos, que o contato social com os semelhantes foi praticamente obliterado. Não falta conforto, mas ao mesmo tempo, a essência do viver bem foi reduzida a quase nada. A perspectiva de uma volta ao planeta, para retrabalhá-lo, recolonizá-lo, se os desafios para chegarem a esse ponto forem vencidos, significará muito trabalho e um novo estilo de vida a ser adotado. Estarão dispostos a isso? Assista ao filme e não se surpreenda se os humanos do filme se pareçam com você, grudado à poltrona do cinema ou de sua casa!

No final, WALL-E deixa um balanço positivo, além da admirável técnica de vanguarda em entreter, mesmo que siga a trilha Holywoodiana de tratar as questões ignorando a existência de Deus. O filme fornece campo para muitas discussões proveitosas (e não apenas na área de ecologia). Valores bíblicos relacionados com a filosofia do trabalho; com o valor da família; com amor e desvelo – estão presentes em várias ocasiões. “Há esperança, no meio do caos,” é a mensagem – e temos oportunidade de mostrar e reafirmar qual é a verdadeira esperança da humanidade e em quem confiam os cristãos. A busca do WALL-E por companhia, pode nos levar a discussão sobre o perigo e a dor da solidão.

WALL-E celebra as virtudes de moderação e auto-controle no mercantilismo exacerbado de nossos dias – demonstrando as conseqüências da ausência de limites e o perigo de sermos consumidos pelo consumo. Preste atenção, igualmente, ao término do filme, na animação que acompanha os “créditos”, onde temos um tributo às artes, ao trabalho e ao cultivo. WALL-E é, portanto, mais do que uma parábola ecológica, é uma crônica de resgate de valores que não podem ser esquecidos por nossa sociedade, sob pena de pagarmos pesados pedágios. É um lembrete sobre os perigos do individualismo e do egoísmo.

Autor: Solano Portela

Fonte: blog O Tempora o Mores!


“‘Quase Deuses‘ conta a história verdadeira e emocionante de dois homens que desafiaram as regras em sua época para iniciar uma revolução médica. Na Baltimore dos anos 40, o Dr. Alfred Blalock (Alan Rickman, de Harry Potter e o Cálice de Fogo) e o técnico de laboratório Vivien Thomas (Mos Def, de Uma Saída de Mestre) realizam cirurgias cardíacas usando uma técnica sem precedentes, atuando como equipe de uma maneira impressionante. Mas ao mesmo tempo em que travam uma corrida contra o tempo para salvarem a vida de um bebê, ambos ocupam diferentes condições sociais na cidade. Blalock é o saudável homem branco que comanda o Departamento Cirúrgico do Hospital Johns Hopkins; Thomas é negro e pobre, um habilidoso carpinteiro. Quando Blalock e Thomas desbravam um novo campo na medicina, salvando milhares de vidas graças ao processo, as pressões sociais ameaçam minar sua parceria e por um fim à amizade que nasceu entre eles.”

Um filme com grandes lições para a nossa vida!

Fonte: Blog do Pastor Altair Germano

Comentário adicional: O filme é realmente brilhante e muito lindo, uma história que mostra os dfíceis caminhos da amizade, mas também a persistência que devemois ter em nossas vocações, independentemente do reconhecimento. Para o cristão, tudo deve ser feito para a Glória de Deus, dando toda a Honra e reconhecimento à Ele. Ele é o nosso prazer e alegria, algo muito além das supostas glórias humanas.