A Teologia de Avatar

Avatar não fez apenas sucesso nos cinemas (sendo até então o filme de maior arrecadação da história do cinema), mas com o lançamento do filme em DVD e Blu-Ray, Avatar mais uma vez fez sucesso com as vendas, demonstrando assim o grande interesse do público pela produção de James Cameron. Do ponto de vista cinematográfico a grande novidade de Avatar são seus efeitos especiais. Apesar das cenas de ação, a história já foi muito bem explorada no Cinema, como em Clássicos como O Planeta do Macacos( 1968), sendo que o filme de Cameron não acrescenta ou se aprofunda nisso. No filme, os humanos são os grandes vilões da vez, que cada vez mais agridem a mãe-natureza, só que desta vez de um outro planeta. Creio, além disso, há outras coisas que se deve considerar. O excelente artigo de Christian Gills nos leva um pouco para uma reflexão sobre o tema que é proposto pelo filme.

Por Christian Gillis

O sucesso de “Avatar” foi bilionário. Os efeitos visuais do filme de J. Cameron são mesmo incríveis — assisti em 3D. A mensagem central é alinhada ao que tem sido considerado politicamente correto pelo paradigma socialoide, tanto antropológica como ecologicamente.

Milhares de povos têm sido de fato destruídos ao longo da história por causa da ganância império-colonialista, que passa como um rolo compressor por cima de terras, casas, referências culturais, corpos e o que mais for preciso em nome do lucro. Tangencialmente somos informados que a Terra já teria seu habitat destruído — e agora vemos os homens (machos brancos) exportando para os limites da galáxia a cultura de exploração destrutiva, garantida por tropas militares (mercenários sem bandeira, mas que se comunicam no idioma do mercado…), enquanto os frágeis (mulher e deficiente físico) salvam o mundo imaginado no espaço. Uma projeção na telona das angústias e anseios da humanidade. Então, a mensagem de preservação de povos, culturas e o meio ambiente é bacana e necessária. Porém chamo a atenção para a teologia (o discurso sobre o deus, o divino, a deidade) que é sedimentada na mente dos expectadores “almiabertos” (boquiabertos).

Não é questão de demonizar a produção e não assistir ao filme, mas de saber os corantes e conservantes que o compõem e aos quais somos expostos (e que não são informados na embalagem) e que, em alguns casos, colateralmente, poderão redundar nalgum câncer espiritual. Cito a Wikipédia, por ser uma referência popular: “Avatar é uma manifestação corporal de um ser imortal, segundo a religião hindu, por vezes até do Ser Supremo. Deriva do sânscrito ‘Avatāra’, que significa ‘descida’, normalmente denotando uma (religião), encarnações de Vishnu (tais como Krishna), que muitos hinduístas reverenciam como divindade… Qualquer espírito que ocupe um corpo de carne, representando assim uma manifestação divina na Terra…” Quando essa forma impersonalizada de Deus transcende daquela dimensão elevada para o plano material do mundo, ele — ou ela — é conhecido então como a encarnação ou Avatara… Em uma concepção mais abrangente, a encarnação poderia ser descrita como o corpo de carne. Mas essa concepção seria talvez errada, conquanto tais formas divinas não se tornam reais seres de carne e osso, ou assumem corpos materiais. Uma alma comum assume corpos materiais de carne e osso, mas no caso dessa manifestação divina, seu corpo e sua alma transcendem a matéria e, embora apareçam como impersonalizações, aquele corpo também pertence a sua essência espiritual… Essa palavra “Avatar” se tornou popular entre os meios de comunicação e informática devido às figuras que são criadas à imagem e semelhança do usuário, permitindo sua “impersonalização” no interior das máquinas e telas de computador… Tal criação assemelha-se a um avatar por ser uma transcendência da imagem da pessoa, que ganha um corpo virtual, desde os anos 80, quando o nome foi usado pela primeira vez em um jogo de computador… Mas a primeira concepção de avatar vem primariamente dos textos hindus, que citam Krishna como o oitavo avatar — ou encarnação — de Vishnu, a quem muitos hindus adoravam como um Deus”. Não há como ignorar o componente teológico envolvido no filme. Primeiro, pelo nome do filme em si (a orientalização do Ocidente é uma tendência que vem crescendo desde meados do século 20), assim como por um linguajar que faz referência e remete ao hinduísmo. Segundo, pela ideia de espírito / mente de um ser “transmigrar” para outro corpo (em “Avatar”, paralelamente, num mesmo tempo e espaço; no hinduísmo, sucessivamente, noutro tempo e forma de vida).

Terceiro, e principalmente, pela noção panteísta de divindade, ou seja, um poder divino embutido na natureza, visualizado e adorado em forma de árvore especial, com a qual é possível estabelecer contato e comunicação (é pessoal), que elege seres para tarefas salvíficas, que mantém aquele mundo em equilíbrio, que move os elementos (animais, por exemplo) que compõem aquele cosmos, que toma a vida (decide quem continua a viver), que realiza o milagre de transferir efetivamente uma alma de um corpo para outro. Quarto, pela semelhança sonora entre o nome da divindade (Eiwa) com Jeová. Seria a tentativa de alguma redefinição do Deus revelado por Jesus, segundo a Escritura? (A tendência atual não é ateísmo, mas uma forma religiosa natural, mais palatável que o Deus bíblico.) Ainda há outros aspectos, mas esses bastam para mostrar o ponto: “Avatar” está cheio de elementos teológicos, no caso, panteístas. O contraste com o Deus da Bíblia é enorme, pois ele é o Deus Eterno, Criador, o Deus Soberano no universo (não limitado a uma lua do cosmos), o Deus que é espírito puro, o Deus Pai de Jesus Cristo (chamado por alguns hindus modernos de um avatar…), o Deus que ama e salva a sua criação entrando na história e assumindo a cruz para resgatá-la. Sem paranoia, mas vigiando (levando em conta que J. Cameron patrocinou um documentário que questiona a ressurreição de Jesus), o que a cultura contemporânea vem sedimentando em nossa alma? Quais serão os efeitos espirituais reais que tal cosmovisão terá sobre a mente de milhões de consumidores desse tipo de cultura? Pessoalmente, não gostaria de viver em sociedades como as que a teologia hindu pariu (idealizada pela novela “Caminho das Índias”). É claro, portanto, que há uma relação direta entre a teologia e o modo de vida, entre uma teologia idólatra e um modo de vida igualmente reduzido, entre uma concepção panteísta da divindade e uma espiritualidade esvaziada da cruz. Não vivemos sem cultura. Alimentamo-nos constantemente dela. Esse artigo tem por objetivo despertar a atenção para as expressões culturais que ingerimos. A ideia é provocar reflexão e reação. Gostaria muito de saber quais foram as suas impressões sobre o filme, de ouvir sua ressonância, ainda mais que o diretor já anunciou a continuação de “Avatar” em mais um ou dois filmes. •

Christian Gillis é casado com Juliana e pai de 3 garotos. Pastor da Igreja Batista da Redenção por 20 anos, é envolvido com ministérios relacionados a missões, reflexão e juventude.

Extraído do Blog Como Viveremos

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24 Horas longe do fim

24horas-capa1-thumbPor Gutierres Siqueira

Os produtores da famosa série 24 Horas inovaram. Antes da sétima temporada lançaram um filme para a TV intitulado em português como 24 Horas: A Redenção. O longa-metragem serve, portanto, como uma introdução da nova temporada. Então, para quem está assistindo a temporada atual, é imprescindível que antes veja o filme.

24 Horas: A Redenção foi criado diretor Jon Cassar para que o público não se desacostumasse com as histórias de Bauer, já que esse novo ano veio com atrasos por causa da grave dos roteiristas. O filme acontece em tempo real em meio a muita ação entre 15 às 17 horas.

Em Sagala, um país fictício do continente africano, Jack Bauer (Kiefer Sutherland) refugia-se em uma pequena comunidade de crianças órfãs que são cuidadas pelo missionário estadunidense Carl Benton (Robert Carlyle). Bauer busca sua redenção após as suas conturbadas relações amorosas e familiares, além da fuga de acusações de tortura e desobediência presidencial.

Mesmo escondido nesse acampamento missionário, Bauer é intimado pelo oficial da embaixada norte-americana em Sangala, Frank Tramell (Gil Bellows) para comparecer aos Estados Unidos e responder as acusações. Bauer nega-se a voltar aos Estados Unidos e prefere fugir para outro lugar.

No mesmo momento acontece nos Estados Unidos a posse da presidente Allison Taylor (Cherry Jones). Algumas horas antes da cerimônia oficial Allison Taylor é informada pelo ainda presidente Noah Daniels (Powers Boothe) que não fará uma intervenção militar em Sangala, apesar do apelo do primeiro-ministro sangalês Ule Matobo (Isaach De Bankole), que está preocupado com o iminente golpe de estado promovido pelo general sanguinário Benjamim Juma (Tony Todd).

Roger Taylor (Eric Lively) filho da presidente possui um amigo problemático, chamado Chris Whitley (Kris Lemche), que começa a desvendar um esquema fraudulento envolvendo nomes poderosos da cúpula militar privada dos Estados Unidos, como Jonas Hodges (Jon Voight), um poderoso empresário da companhia militar privada Starkwood.

Hodges promove um total apóio tático para que o General Benjamin Juma efetue um golpe militar em Sangala. Juma utiliza crianças com parte do seu exército e os seus militares invadem a propriedade do missionário Benton para capturar as crianças daquele local. Porém, lá ainda estava Jack Bauer que ajuda essas crianças a caminharem até a embaixada norte-americana.

“Contra o imperialismo americano”

Os militantes do general Juma convencem as crianças que elas estarão lutando contra as “baratas” dos imperialistas americanos para a real libertação de Sangala. Essa abordagem mostra uma realidade de muitos ditadores em países pobres, que exploram suas populações usando a justificativa de combater um império (ou inimigo externo). Essa abordagem lembra certamente o presidente do Zimbábue, o ditador Robert Mugabe e outros líderes que se apóiam numa ideia maniqueísta para justificar suas atrocidades.

Assim como no filme Diamante de Sangue, A Redenção explora o sério problema humanístico do uso de crianças como soldados dessas guerras civis. Algumas instituições de direitos humanos denunciam a existência de 300 mil de crianças-soldados, principalmente no continente africano e na faixa de Gaza, que são normalmente exploradas por ditadores ou grupos terroristas, como o Hamas. Mas próximo da realidade brasileira, documentários como Falcão-Meninos do Tráfico expõem a cruel demanda do tráfico por crianças e adolescentes nos morros cariocas.

Sétima temporada em Washington, D. C.

O cenário já não é mais Los Angeles, mas sim a capital federal Washington. Jack Bauer está de volta, agora no senado americano sendo julgado pelas acusações de tortura. A CTU (Counter Terrorist Unit, ou Unidade Contra-Terrorismo) já não existe. Apesar de tudo diferente, os Estados Unidos continuam debaixo de uma ameaça terrorista. Porém, a ameaça é interna, do ressuscitado ex-agente da CTU, Tony Almeida (Carlos Bernard).

Também, na sétima temporada o braço direito de Bauer não é Chloe O’Brian (Mary Lynn Rajskub) ou Bill Buchanan (James Morrison), mas sim a agente federal Renne Walker (Annie Wersching). Walker sofrerá bastante com conflitos profissionais ao acompanhar Bauer em sua jornada contra o terrorismo iminente e a problemática da tortura.

Agora, quem cuida dessas ameaças é o FBI, que contará com Bauer para ajudar na captura dos terroristas. Nessa nova fase o terrorismo passa tanto pelas mãos de Tony Almeida, como do general Benjamim Juma e o seu companheiro general Iké Dubaku (Hakeem Kae-Kazim). Além dos terroristas africanos, todo o apóio parte de agentes corruptos do governo americano, do FBI e das empresas militares privadas, entre eles o poderoso Jonas Hodges.

O dilema da tortura

As torturas, como em todas as temporadas causam um mal estar na vida de Jack Bauer e nos seus relacionamentos profissionais, mas nesse sétimo dia, Bauer continua torturando, com suas alegações dos fins justificando os meios. Ao contrário da leniente CTU, Bauer encontra forte oposição do FBI quanto à tortura, especialmente do agente especial Larry Moss (Jeffrey Nordling). No decorrer da temporada, Bauer vai “convencendo” que essas “técnicas” são métodos eficazes para aqueles que o acompanham, especialmente Renne Walker. A grande pergunta é se Bauer fará escola no FBI?

O Bauer da era George W. Bush é o mesmo Bauer da era Barack Obama. Quem acha que a série seria captada pelo “politicamente correto” já se decepcionou nos primeiros episódios. O instinto desse ex-agente da CTU está na captura e destruição de qualquer terrorista. Aliás, somente alguém baseado em uma visão irrealista de política internacional, achará que as necessidades belicistas dos EUA mudarão simplesmente pela boa vontade do novo presidente. Acima dos sonhos encarnados no Obama, há o pragmatismo desse líder mediante dos desafios enfrentados no planeta.

Tortura serve para alguma coisa?

Jamais uma resposta afirmativa será dada para tal pergunta. Agora, algumas questões podem ser levantadas para esse debate. Segundo relatórios da CIA o terrorista da Al-Quaeda, Khalid Shaikh Mohammed, capturado pelo exército americano no início de 2008, sabia de planos para um novo ataque ao território dos EUA. Khalid sofre na base de Guantánamo a técnica de tortura chamada de waterboarding (simulação de afogamento) por 183 vezes, e revelou informações suficientes para o desmonte de uma célula da Jemmah Islamiyah, com 17 membros. Certamente essa confissão sob tortura salvou milhares de americanos. Mas é ético? Os fins justificam os meios?

Bauer lida com isso. Os idealizadores da lei criaram tais preceitos para o bem da sociedade, e a lei está acima de um ônibus com quinze passageiros na mão de terroristas. Bauer encara que a tortura é um erro que chama outro, mas uma vez efetuado pode salvas vidas.

O produtor da série 24 Horas, Joel Surnow, em entrevista para a jornalista Jane Mayer da revista The New Yorker, declarou: “Recentemente, estiveram aqui vários especialistas em tortura, e eles falaram ‘Vocês não têm idéia do número de pessoas que é influenciado por isso. Tomem cuidado’. Eles dizem que a tortura não funciona. Mas eu não acredito. Não acho que seja honesto dizer que, se uma pessoa amada estivesse presa, e você tivesse cinco minutos para salvá-la, você não usaria tortura. O que você faria? Se alguém tivesse raptado uma das minhas filhas, ou a minha mulher, eu iria querer ter a oportunidade. Não existe nada – nada – que eu não fosse capaz de fazer”.

Bauer lida com isso. Os idealizadores da lei criaram tais preceitos para o bem da sociedade, e a lei está acima de um ônibus com quinze passageiros na mão de terroristas. Bauer compreende que a tortura é um erro que chama outros erros.

OBS: Esse artigo foi publicado originalmente  na Revista IKONE, uma publicação acadêmica para as aulas do 5° semestre de jornalismo.

Fonte: Blog Opus Homo

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Presságio: reflexões existenciais e escatológicas, a partir do filme


O filme Presságio (Knowing), com Nicholas Cage e Rose Byrne, lançado neste mes de abril de 2009, é intenso, interessante e intrigante. A história revolve em torno da vida de um professor de astrofísica do Massachusetts Institute of Techonoloy (MIT), John Koestler (Nicholas Cage) filho de pastor protestante (possivelmente pentecostal). Provavelmente, em função do seu treinamento na área de ciências, Koestler possui uma visão cética, na qual não enxerga propósito e ordem, mas sim aleatoriedade e um desenvolvimento da vida e da natureza em função do acaso. Uma tragédia, a perda da esposa em um acidente, o faz recrudescer nessas convicções, inclusive no afastamento de quaisquer relacionamentos com o seu pai. Koestler toma conta do seu filho, Caleb (Chandler Canterbury) uma brilhante criança de uns 10 anos, sozinho. Um acontecimento vai mudar a sua compreensão da vida e seus relacionamentos: um papel colocado em uma “cápsula do tempo”, por uma garotinha, há 50 anos, contendo indicações de tragédias iminentes. O enredo leva John Koestler a interagir com essas tragédias, algumas ainda no futuro, já tentando impedi-las.

Presságio não é um filme evangélico, classificando-se mais como uma história de suspense e até de algum, bem arquitetado, terror. Sua história, bem desenvolvida e com hábil direção, prende a atenção do início ao fim do filme. Os efeitos especiais são de tirar o fôlego, demonstrando como a tecnologia nessa área, vai sempre superando as últimas apresentações, mesmo quando aparenta que tudo o que podia ser aperfeiçoado já foi conseguido. A história do filme, entretanto, se descortina em cima de temas evangélicos e se presta a uma boa discussão de grupo. Os seguintes pontos podem refletir temas cristãos e fornecer a oportunidade de apresentá-los corretamente, como a Bíblia os revela:

1. Há propósito no universo? Koestler possui uma visão nihilista da vida. Para ele as coisas acontecem sem qualquer relação de causa e efeito, randomicamente. Não há propósito maior no universo. Não há causa inicial e não há destino final. Isso ele ensina tanto ao seu filho (apesar de deixar a opção, politicamente correta, mas mal acomodada: “se você quiser acreditar, acredite”), como à sua classe de universitários sedentos. O interessante é que ele próprio, apresentando o ponto de vista do projeto inteligente, indica as evidências cósmicas para tal. Pegando modelos de madeiras dos componentes do sistema solar, diz algo assim: “o que terá colocado esse pequeno planeta azul exatamente na distância correta do Sol, de tal forma que a vida é possibilitada, nele, com a temperatura e condições exatas”? No entanto, descartando a própria evidência que apresenta (e que tem como resposta a existência de um Criador), ele declara acreditar na aleatoriedade e pura chance desse posicionamento da terra, e ausência de propósito não só para o universo, mas para as vidas que o habitam. Reflete, dessa maneira, os milhares de cientistas, cuja profissão e atividades só se fazem possíveis, pela sistematização, ordem e propósito do universo, mas que descartam a existência do Deus Criador Inteligente, como origem de tudo e de todos, e como Aquele que dá sentido e propósito à vida.

2. Profecias provam que há algo mais por trás do que se enxerga. John Koestler irá mudar de idéia, e modificará sua cosmovisão, admitindo que existe muito mais do que a sua percepção finita e imperfeita da vida e das circunstâncias o fizeram concluir, até então. Não, isso não se dá por uma conversão, no sentido cristão, nem por leitura da Bíblia, mas pelo contato que tem com as profecias que se constituem no tema do filme (não vamos contar toda a história, para não estragar o suspense dos que ainda não conhecem a história). No entanto, nós cristãos cremos exatamente que as profecias Bíblicas – tanto as que já se cumpriram, como as que ainda estão por si cumprir, emanam do Deus todo poderoso. Elas revelam que ele está em controle.

Na teologia reformada aprendemos que o conhecimento prévio não se constitui na base do plano de Deus (capítulo III, seções 1 e 2, da Confissão de Fé de Westminster), mas exatamente porque ele planejou tudo, na eternidade, com perfeição, ele conhece o que acontecerá, e assim revela (Is 14.24 e 46.9-10), quando lhe apraz. As profecias são grande evidência de que existe muito mais, por trás do que os nossos sentidos apreendem. É verdade, também, que somos alertados a não dar crédito a falsas profecias, e, no caso do filme, temos uma história inventada, que recorre a profecias “auxiliares e extemporâneas”. Como cristãos, crentes nas Escrituras, devemos ter a percepção e convicção que a Bíblia traz tudo que é necessário ao nosso conhecimento religioso e de projeção de vida, tanto no que diz respeito ao passado, como quanto às que ainda haverão de vir. Em vez de ansiedade e preocupação, somos alertados a estar sempre preparados para o nosso encontro com Deus.

3. O fim vem! Durante a maior parte do filme a preocupação maior é em decifrar as indicações das tragédias passadas, bem como as que ainda estão por vir, mas vai ficando claro que o problema à frente é bem maior! Estamos lidando com a destruição da vida na terra – e essa virá em grande paralelo ao que a Bíblia declara: com os elementos ardendo (2 Pe 3.10-12). O filme leva o enredo a uma situação de grande tensão, quando o fim é projetado por circunstâncias cósmicas (que deixaremos de detalhar). Há um período de desagregação social, onde a frágil matiz de justiça da sociedade se desvanece, e, logo a seguir, vem o fim. Prepare-se para uma das mais perfeitas seqüências de efeitos especiais. Elas nos dão um vislumbre de como poderá ser, realmente, o final dos tempos. Ainda que nunca venhamos conseguir a ter a percepção completa do horror daquele momento, é uma boa ocasião para discutir a iminência do julgamento divino e a certeza das profecias escatológicas. Talvez até essa parte possa ser projetada em um grupo de estudo, ou classe de Escola Dominical, para inicio de um debate escatológico.

Além desses três, vários outros temas evangélicos permeiam a história. Outros pontos de contato podem ser os anjos (ruins ou bons?), que aparecem na história e, eventualmente, interagem com os demais personagens; o pai do John Koestler, pastor, com o seu sermão anual centralizado no tema “não desprezeis profecias” (1 Ts 5.20); o reatamento das relações entre pai e filho; as referências às profecias de Ezequiel; uma magistral reconstrução, por efeitos especiais, das rodas concêntricas dos “seres viventes” (Ez 1.15-21 e 10.6-17); e a idéia e visão de “novos céus e de uma nova Terra”. Todos esses, podem resultar em proveitosas discussões, sempre convergindo a atenção e exame sobre o que a Bíblia realmente tem a dizer, sobre essas questões, e qual a aplicação prática das verdades bíblicas às nossas vidas.

Muitos outros filmes, além de Presságio, têm apresentado uma visão do final dos tempos, como, por exemplo, “O Dia depois de Amanhã” (2004), no entanto, esses outros filmes apresentam o fim de forma diferente dos registros da Bíblia (no “Dia depois de Amanhã” – a catástrofe final é um dilúvio e uma nova era glacial). O que chama atenção, em Presságio, é exatamente o paralelismo sobre a forma do fim. No entanto, devemos estar alertas exatamente para a grande diferença e para a ausência de elementos cruciais à representação das Escrituras: não há qualquer menção à segunda vinda de Cristo; consequentemente não há mensagem, palavra ou esperança de salvação. A esperança, no filme, não é expectativa de certeza de livramento, do cristão, mas apenas um tênue e frágil desejo de que tudo termine bem. E, enquanto o filme fala de “eleitos”, o seu numero e representação, no “novo céu e na nova terra”, muito difere do que a Bíblia nos ensina sobre essa questão, em Ap. 7.9: “… vi, e eis grande multidão que ninguém podia enumerar, de todas as nações, tribos, povos e línguas, em pé diante do trono e diante do Cordeiro, vestidos de vestiduras brancas, com palmas nas mãos”.

Solano Portela
Extraído do blog O Tempora O Mores!
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Um cachorro atrapalhado que desperta valores cristãos – Marley e Eu

Marley e Eu (Marley and Me) é filme recente lançado simultaneamente em vários países na virada do ano 2008-2009. Deverá estar disponível em DVD em junho de 2009. O filme traz os conhecidos rostos de Owen Wilson e Jennifer Aniston e uma história que prende o interesse do começo ao fim. É baseado em fatos reais, originalmente narrados por John Grogan, personagem no filme e na vida real, em seu primeiro livro (2005) do mesmo nome do filme, que rapidamente virou best-seller nos Estados Unidos. Ele apresenta o relato de dois jornalistas, recém-casados e recém-chegados à Flórida. Eles constroem suas vidas profissionais e como casal, enfrentando positivamente as incertezas e lutas da jornada, com muito amor e fidelidade, enquanto vivenciam o crescimento da família com a chegada dos filhos.

Não é filme evangélico, mas nessa era, em que os valores cristãos são sistematicamente desrespeitados ou apresentados como ultrapassados e anacrônicos, o filme vem como uma lufada de ar fresco em um mundo saturado pelo ar estagnado da morte intelectual e moral. O elo de ligação da história é o cachorro do casal: Marley; no entanto, a narrativa transcende os episódios decididamente engraçados e bem humorados vividos pelo enorme animal. Com sua postura atrapalhada e incorrigível, Marley tanto traz alegria, como muita confusão e problemas ao jovem casal. Os filhos vão chegando e com eles maior complexidade à vida de cada um, mas o desenrolar da história vai se ancorando em princípios que realmente resultam em casamentos estáveis e na felicidade dos cônjuges. Não quero dar os detalhes da história, nem revelar o que acontece, mas destaco os seguintes pontos positivos, que podem tanto servir de exemplo para jovens, como também para reuniões de casais, que fariam bem vendo e discutindo os temas, conforme eles vão transparecendo no filme:

1. Há felicidade real no casamento – Grogan não tem uma vida profissional bem resolvida. Semelhantemente a uma enorme maioria das pessoas, o que realmente ele gosta de fazer, não é o que faz. As oportunidades são paralelas, mas não exatas às projeções feitas por ele mesmo, ou por sua esposa. Ele tem que aprender a viver com os caminhos misteriosos que Deus descortina à nossa vida. No entanto, no casamento os dois se apóiam mutuamente. Discutem as questões, procuram agradar um ao outro. Demonstram amor real. Por vezes sacrificam-se um pelo outro, em um reflexo do verdadeiro amor registrado em 1 Coríntios 13.5: o amor “não procura os seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal”. Grogan tem um amigo, desde a universidade, colega de profissão; o Sebastian. Contrastando com a estabilidade matrimonial de Grogan seu amigo é o que se chama comumente de “solteiro inveterado”. Aquela categoria que, aparentemente, goza de liberdade e está sempre pulando de um relacionamento a outro. Se tivermos a percepção aguçada, entretanto, veremos que essa suposta felicidade cobra o pedágio da solidão, da impropriedade e da sonegação de todos os benefícios trazidos com a responsabilidade bíblica do casamento. Basta observar o avançar dos anos e o aprofundamento do relacionamento do casal, contrastando com o insucesso do Sebastian na manutenção de um relacionamento real, intencionado por Deus, quando fez “dois em uma só carne”.

2. O tratamento dos animais é revelador do caráter das pessoas – Provérbios 12.10 diz: “O justo atenta para a vida dos seus animais, mas o coração dos perversos é cruel”. O filme apresenta o cuidado e carinho com o Marley, animal de estimação escolhido pelos dois. O cachorro serve como professor involuntário de paciência, determinação, devoção, reconhecimento e abnegação, para o casal e, depois, aos filhos. Ou talvez um animal de estimação desperte essas características das pessoas, formadas à imagem e semelhança de Deus, que se encontram obscurecidas pelo pecado. Mas temos de reconhecer que mesmo os descrentes são possibilitados pela Graça Comum de Deus a terem esses sentimentos e de demonstrarem traços de caráter que emulam os ideais bíblicos comportamentais. Se é assim com os que não temem a Deus, quanto mais nós, cristãos, deveríamos demonstrar esse exemplo de caráter, em nossas vidas, conhecedores que somos “das coisas do Espírito”. Realmente, é inegável que a Palavra indica que o tratamento dos animais revela a índole das pessoas. Jacó, na ocasião de sua morte, ao avaliar os seus filhos (Gn 49.5 e 6), fala contra Simeão e Levi que, em “sua vontade perversa” mutilaram touros com suas espadas. Jacó os caracteriza como violentos e furiosos.

3. A fidelidade é demandada, no casamento – esse é o projeto divino (Mateus 19.3-11). O casal do filme enfrenta fases serenas e fases difíceis. Tempos de bonança e ocasiões de tempestades. No entanto há um vínculo de fidelidade que faz com que o mero pensamento de quebra dos laços matrimoniais seja algo rejeitado de imediato, quando sugerido, pelo amigo “solteirão”. Do lado da esposa, a reflexão séria afasta qualquer intenção de abandono do lar.

4. Os filhos são uma bênção, no lar – Esse é um princípio encontrado em diversos trechos das Escrituras, como no Salmo 127.3: “Herança do Senhor são os filhos”. O casal do filme inicialmente protela ter filhos, mas logo fica evidente que algo está faltando na família. Cada filho chega com suas dificuldades, e dando muito trabalho; mas a bênção de cada um vai ficando evidente no desenrolar da história. Os comentários e conselhos que o casal recebe, revela, também, como os filhos representam, realmente, uma dádiva ao casamento, mesmo por aqueles que menosprezam o valor de sua própria prole.

Não quero dar a impressão que o filme, sobre um animal de estimação, é um manual conjugal. É simplesmente uma ocasião de diversão, com muito humor, muitas risadas, muita alegria; mas igualmente com muita seriedade e sempre sobre um pano de fundo de um casamento estável, valorizado e feliz. Muitos terapeutas têm escrito sobre a validade dos animais de estimação, até porque desviam a atenção das crianças delas próprias e possibilitam que se concentrem também no bem estar de uma criatura que passa a depender delas (e da família) para o seu cuidado e bem estar. O filme mostra esse ponto, também.

A história é contada com muita competência, sem cenas melosas ou piegas demais; com bastante ação e movimentação. O fato do filme estar baseado em uma história real, para mim, despertou maior interesse. Verifiquei, também, como é importante o registro da história da família, como fez Grogan, ainda que motivado por razões profissionais (era jornalista, e crônicas eram a sua função), mas tais registros foram servindo de referenciais à família e, principalmente, aos filhos. Hoje em dia, damos pouca importância aos registros da nossa história, mas esses servem muito ao proveito dos nossos próprios familiares, e isso fica evidente, no filme. Recomendo que o assistam. Não é necessariamente um filme para crianças. Mesmo sem cenas de sexo, há momentos da intimidade do casal que são mais adequados a adolescentes maduros ou para os adultos. Ah, ia esquecendo! Prepare o lenço, pois a dose de emoção, especialmente para quem já teve algum animal de estimação, que pode ter diversas memórias despertadas, é bastante intenso e profundo. Em paralelo às risadas, as lágrimas, com certeza, vão aflorar em diversos momentos. Na realidade, uma espectadora (notem o gênero), uma fila à frente, chegou a soluçar audivelmente, quem sabe, lembrando algum animalzinho de estimação em sua vida!

Extraído do Site O Tempora o Mores!
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O Natal e o cinema

adni18_white_christmasDentre os muitos filmes existentes, a maioria é sobre o “bom velhinho”, árvores, cultura anglo-saxõnica, doces e presentes, etc. e muito pouco sobre Jesus, a quem muitos dizem estar celebrando o natal. Atentando para isso, é importante que as pessoas tenham em mente que o natal nada mais é do que a celebração do nascimento de Jesus, Nosso Senhor, enviado pelo Pai para morrer por nós na cruz do Calvário, sendo nós pecadores( Jo 3:16).

por isso, bom é que, caso você alugue algum filme propício para essa data, veja o aquele que realmente fala do aniversariante: O Rei dos Reis, do diretor Nicholas Ray, A Paixão de Cristo, filme do ator e diretor Mel Gibson*, Ben-Hur de Wllian Wyler. para a garotada há muitos desejos lindos sobre Jesus, todavia, tenha cuidado com os ditos mangás evangélicos.

Há um filme recente propriamente feito sobre o nascimento de Cristo, chamado Jesus- a História do nascimento, que teve sua premiere exclusiva no Vaticano. Não vi o filme e nem vi algum cristão que tenha feito uma crítica sobre ele, por isso acho melhor não recomendá-lo, apesar deste ter recebido elogiosas críticas.

Que Deus possa abençoar à todos os leitores do blog Baeta, feliz natal e próspero Ano Novo! (1 Jo  4: 14-15)

* Apesar de ter minhas reservas com relação a este filme, é certo que ele é o único que demonstra com total realismo a crucificação de Jesus.

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WALL-E – Um robô com princípios bíblicos?


WALL-E (wáli) é o nome do novo filme da PIXAR – aquela empresa que o Steve Jobs comprou e reformulou, enquanto estava de “férias” da Apple, e que lhe gerou mais alguns milhões ao ser absorvida pelos Estúdios Disney (comprada por 10 milhões de dólares, à Lucas Films, foi vendida por 7,4 bilhões, e ele permaneceu como acionista principal!). WALL-E, lançado em 2008, já está fazendo grande sucesso, como fizeram as animações anteriores, que criaram escola, tais como Toy Story (1995, 1999), A Bug’s Life (Vida de Inseto) (1998), Os Incríveis (2004) e várias outras. Andrew Stanton, o diretor-escritor deste filme, declara-se um cristão.

O nome, não somente do filme, mas do ator principal – o robozinho, é na realidade: WALL•E, a sigla para Waste Allocation Load Lifter Earth-Class (que seria traduzível, aproximadamente, para: Organizador e Empilhador de Lixo – Classe Terra). Num futuro remoto, há 900 anos, a terra foi destruída pelo consumismo e lixo produzido pelos humanos. As pessoas navegam, no espaço, em uma gigantesca espaçonave. No planeta ficaram robôs projetados para compactar e empilhar o lixo, mas, aparentemente, eles vão parando até que resta apenas WALL-E, que trabalha ávida e criativamente na tarefa. Sua intensa rotina de trabalho é alegrada por quinquilharias coletadas e levadas para o seu lar – um container de aço, onde uma velha tela aumentada de um I-Pod, toca diariamente trechos do musical “Hello, Dolly!”, um antigo musical de 1969. Sua solidão é quebrada com a chegada, do espaço, de um robô ultra-moderno, EVE (Eva), com uma missão ultra-secreta.

Fora a competência técnica da quase-perfeita animação, WALL-E, aparentemente, seria apenas mais um filme sobre a rebatida questão ecológica, onde os humanos destroem o seu habitat proporcionando uma mensagem politicamente correta para crianças e adultos. E quem poderia ser contra uma mensagem ecológica?

Os cristãos deveriam ser os primeiros a cuidar bem da Terra – afinal temos a convicção do que “Ao Senhor pertence a terra e tudo o que nela se contém, o mundo e os que nele habitam” (Salmo 24.1). O Universo, e mais especificamente o nosso planeta devem receber nossos cuidados. Deus nos delegou (Gn 1.28) o domínio sobre a criação. Sujeitar e dominar a terra não significa exauri-la ou explorá-la completamente, mas penetrando nas ciências e áreas de conhecimento, utilizar o chão, flora e fauna, com propriedade, para o benefício da raça humana. A Terra é, portanto o lar que Deus nos preparou. Somos mordomos de uma criação harmônica que glorifica a Deus (Sl 19). O Povo de Deus é instruído a cuidar da Terra – pois ela nem é dele nem é autônoma – e os princípios agrônomos de descanso à terra (rotatividade das colheitas) está entrelaçado à Lei Cerimonial e Judicial do antigo Testamento.

Confesso, entretanto, que não tenho muito entusiasmo com discursos ecológicos. Talvez isso ocorra porque a maioria de tais palestras, artigos ou livros procuram pintar, injustamente, os cristãos, e seus valores, como predadores do planeta. Enquanto isso os orientais e sua religiosidade são colocados como modelos de preservação ambiental; os índios são utopicamente retratados como aqueles que vivem em paz com a natureza; e por aí vai. Essas alegações não subsistem o mínimo escrutínio ou verificação “in loco”, como prova a poluição intensa da China. Violência ambiental ocorre por puro desprezo a diretrizes divinas; por profundo egoísmo – condenado na Bíblia; por religiosidade inconseqüente e louca – como a encontrada na Índia, com seu defunto e mal-cheiroso, mas religiosamente sagrado, Rio Ganges.

É possível que minha rejeição tenha sido provocada por over-dose de projetos pedagógicos ambientais; anos ecológicos da UNESCO; pronunciamentos em encontros de professores de Autoridades Ecológicas; e tantas outras atividades educacionais às quais tive de presenciar e comparecer, enquanto estive mais proximamente ligado à área de Educação Básica. Essas questões dominam com tal intensidade o conteúdo das escolas, que as nossas crianças já recebem pré-definida a sua prioridade de vida: salvar o planeta – acima de suas obrigações para com Deus, pais, nação, o próximo e até para consigo mesmas.

Ou talvez a ojeriza provenha de uma recusa de aceitar as pílulas ecológicas prontas a serem deglutidas, preparadas pela mídia e pela agenda do Governo; por ministras mártires, ou por bombásticos sucessores de coletes – que não são salva-vidas. Enfim, perante esses estereótipos, os assuntos debatidos ad-nauseam, e a multidão de eco-chatos, tornei-me um deles, no sentido inverso. Falou de ecologia – já estou vacinado, desconfiado e com um pé atrás – tenho mais a fazer (para a preservação do planeta e das baleias, também) …

Era necessário surgir WALL-E para me motivar a sentar durante duas horas por sua saga ambiental e sair da experiência não somente satisfeito e entretido, com as paradoxais expressões e sentimentos demonstrados pelo maltratado robô, mas ponderando sobre as questões e valores levantados pelo filme. Ele é uma forte crítica social ao estágio de letargia, descaso e hedonismo que caracteriza os humanos, não somente os do filme (que aparecerão mais tarde), mas também os de nossa geração.

A primeira coisa que me chama a atenção é o empenho colocado por WALL-E no trabalho, no desempenho de sua missão. É lógico que foi programado para isso, mas no transcorrer do filme o contraste com a preguiça e descuido das pessoas ficará bem evidente. WALL-E tem foco, tem responsabilidade, desempenha o que lhe foi confiado e, os acontecimentos terminam motivando as pessoas a reexaminarem as suas vidas, posturas e prioridades. Apesar de sua seriedade no trabalho, WALL-E não é só isso – ele procura as coisas bonitas ou que entretêm e consegue ser despertado para o lado artístico, criativo e sentimental, que igualmente foram descartados pela humanidade.

WALL-E não está exatamente solitário na Terra. Uma simpática baratinha (as mulheres acharão que isso é uma contradição de termos…) o acompanha em todos os seus passos (ou, já que esse robô não tem pernas, nas voltas de sua esteira). Nessa Terra pós-catástrofe o filme dá guarida à tese, já bastante repetida, que, no advento de um holocausto global “as baratas herdarão a terra” (aparentemente há um tênue respaldo científico para essa suposta resistência das baratas, existindo registros de que elas sobreviveram o bombardeio atômico de Hiroshima e Nagasaki; testes posteriores revelaram que elas suportam 10 vezes mais radiação do que o ser humano – apesar de continuarem impotentes perante o solado de sapato de minha esposa).

Mas a sua solidão é, realmente, quebrada, quando EVE, uma robô de última geração, coletora de alguma coisa, é deixada na terra. Segue-se uma singela história de aproximação e de amor entre WALL-E e EVE. Sem qualquer palavra ou diálogo durante quase metade do filme, podemos testemunhar não somente a timidez de WALL-E, mas pudor, recato – valores que estão muito ausentes de nossas crianças e de nossas famílias. A estranha história de amor dos dois, muito ensina sobre altruísmo, proteção da amada, compartilhamento de belezas e interesses – todos valores cristãos bem registrados por Paulo em 1 Co 13.

Sem diálogos e apenas com a expressão dos olhares, vamos sendo envolvidos na história do robozinho feioso, que “pega”, após recarregar as baterias, com som harmônico do computador MacIntosh, e da robozinha, com aparência de I-Pod, até o contato cheio de aventuras com a nave de humanos que já órbita a Terra há muitos anos, esperando tempos melhores para retornar ao planeta.

O contato não somente dos robôs, mas do espectador, com os humanos revelará uma humanidade totalmente destruída em seu élan. A crítica social é clara e pertinente: o consumismo não somente dominou a todos, mas uniformizou a humanidade em uma massa amorfa, com todos acima do peso; quase sem movimentação própria; ligados 100% na televisão. Nessa sociedade fechada da “arca”, os humanos são tão introvertidos e preocupados em ser servidos, que o contato social com os semelhantes foi praticamente obliterado. Não falta conforto, mas ao mesmo tempo, a essência do viver bem foi reduzida a quase nada. A perspectiva de uma volta ao planeta, para retrabalhá-lo, recolonizá-lo, se os desafios para chegarem a esse ponto forem vencidos, significará muito trabalho e um novo estilo de vida a ser adotado. Estarão dispostos a isso? Assista ao filme e não se surpreenda se os humanos do filme se pareçam com você, grudado à poltrona do cinema ou de sua casa!

No final, WALL-E deixa um balanço positivo, além da admirável técnica de vanguarda em entreter, mesmo que siga a trilha Holywoodiana de tratar as questões ignorando a existência de Deus. O filme fornece campo para muitas discussões proveitosas (e não apenas na área de ecologia). Valores bíblicos relacionados com a filosofia do trabalho; com o valor da família; com amor e desvelo – estão presentes em várias ocasiões. “Há esperança, no meio do caos,” é a mensagem – e temos oportunidade de mostrar e reafirmar qual é a verdadeira esperança da humanidade e em quem confiam os cristãos. A busca do WALL-E por companhia, pode nos levar a discussão sobre o perigo e a dor da solidão.

WALL-E celebra as virtudes de moderação e auto-controle no mercantilismo exacerbado de nossos dias – demonstrando as conseqüências da ausência de limites e o perigo de sermos consumidos pelo consumo. Preste atenção, igualmente, ao término do filme, na animação que acompanha os “créditos”, onde temos um tributo às artes, ao trabalho e ao cultivo. WALL-E é, portanto, mais do que uma parábola ecológica, é uma crônica de resgate de valores que não podem ser esquecidos por nossa sociedade, sob pena de pagarmos pesados pedágios. É um lembrete sobre os perigos do individualismo e do egoísmo.

Autor: Solano Portela

Fonte: blog O Tempora o Mores!

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QUASE DEUSES


“‘Quase Deuses‘ conta a história verdadeira e emocionante de dois homens que desafiaram as regras em sua época para iniciar uma revolução médica. Na Baltimore dos anos 40, o Dr. Alfred Blalock (Alan Rickman, de Harry Potter e o Cálice de Fogo) e o técnico de laboratório Vivien Thomas (Mos Def, de Uma Saída de Mestre) realizam cirurgias cardíacas usando uma técnica sem precedentes, atuando como equipe de uma maneira impressionante. Mas ao mesmo tempo em que travam uma corrida contra o tempo para salvarem a vida de um bebê, ambos ocupam diferentes condições sociais na cidade. Blalock é o saudável homem branco que comanda o Departamento Cirúrgico do Hospital Johns Hopkins; Thomas é negro e pobre, um habilidoso carpinteiro. Quando Blalock e Thomas desbravam um novo campo na medicina, salvando milhares de vidas graças ao processo, as pressões sociais ameaçam minar sua parceria e por um fim à amizade que nasceu entre eles.”

Um filme com grandes lições para a nossa vida!

Fonte: Blog do Pastor Altair Germano

Comentário adicional: O filme é realmente brilhante e muito lindo, uma história que mostra os dfíceis caminhos da amizade, mas também a persistência que devemois ter em nossas vocações, independentemente do reconhecimento. Para o cristão, tudo deve ser feito para a Glória de Deus, dando toda a Honra e reconhecimento à Ele. Ele é o nosso prazer e alegria, algo muito além das supostas glórias humanas.

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