O Último Rei da Escócia: Consequências de um Pecado

Há filmes que se consagram pelo final. Talvez esse seja o maior mérito de O Último Rei da Escócia, interpretado magistralmente por Forrest Whitaker. Nele, um jovem médico escocês(James McAvoy), achando sua vida por demais tediosa, embarca em uma viagem à Uganda da década de 70, justamente no período de ascensão do presidente Idi Amin(Whitaker). O presidente acaba se afeiçoando ao médico, tornando-o não somente médico particular, mas seu assessor oficial. Embebecido pelo poder, fama e mulheres, o médico acaba por se aliar ao presidente, mas aos poucos, percebe que debaixo dessa figura aparentemente doce e humilde, se esconde uma faceta cruel e assassina.

Até a parte final, pensei que o filme não teria um resultado muito positivo. Explico: Dese o início, nos deparamos com o personagem do médico(chamado na trama de Garrigan), que é cínico, egocêntrico e está em busca das mais diversas “aventuras”(na maioria sexuais). Inconseqüente, deixa seu pai e mãe por achar a vida em família muito tediosa, revelando um caráter nada heróico ou ético. Ou seja, ele nada tem a nos passar. Envolve-se com uma das mulheres de Amim, esta por sua vez acaba descobrindo-se grávida e quer que Garrigan produza um aborto. Porém, ela perde a confiança na “salvação” de Garrigan e tenta um aborto no hospital oficial da cidade: resultado, é desmembrada pelos capangas de Amim. Aí então é aos poucos que vemos a mudança e arrependimento no caráter de Garrigan, que mesmo lentamente, começa a ver as duras consequências de seus atos.

Um dos maiores problemas do filme é querer passar uma mensagem essencialmente humanística. o personagem de Whitaker de início(na verdade, na grande parte do filme) não é visto como alguém cruel, mas somente alguém que achava estar buscando o certo para seu país (o que não justifica a morte de cerca de 300.000 Ulgandenses). Outro problema são as cenas de sexo, totalmente desnecessárias no filme(na verdade, quem já viu alguma cena de sexo ser importante ou contribua para algo em algum filme?). Porém, no final, há uma surpresa: o personagem de Garrigam recebe uma lição de um importante médico Ulgandense: ele merece morrer pela vida que levou, todavia viverá para revelar ao mundo quem realmente é Amim(infelizmente há o termo “redimir-se” nos diálogos, algo, que tomando o ponto de vista cristão, é algo absurdo), por isso ele viverá, ainda que seu ajudador morra para salvá-lo.

No final, vemos um Garrigan triste e abatido, porém arrependido e muito mais maduro sobre a vida e sobre sua responsabilidade como pessoa.

Apesar das ressalvas, vale a pena dar uma conferida. E é bom ficar segurando o controle para passar as cenas desnecessárias.

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