Presságio: reflexões existenciais e escatológicas, a partir do filme


O filme Presságio (Knowing), com Nicholas Cage e Rose Byrne, lançado neste mes de abril de 2009, é intenso, interessante e intrigante. A história revolve em torno da vida de um professor de astrofísica do Massachusetts Institute of Techonoloy (MIT), John Koestler (Nicholas Cage) filho de pastor protestante (possivelmente pentecostal). Provavelmente, em função do seu treinamento na área de ciências, Koestler possui uma visão cética, na qual não enxerga propósito e ordem, mas sim aleatoriedade e um desenvolvimento da vida e da natureza em função do acaso. Uma tragédia, a perda da esposa em um acidente, o faz recrudescer nessas convicções, inclusive no afastamento de quaisquer relacionamentos com o seu pai. Koestler toma conta do seu filho, Caleb (Chandler Canterbury) uma brilhante criança de uns 10 anos, sozinho. Um acontecimento vai mudar a sua compreensão da vida e seus relacionamentos: um papel colocado em uma “cápsula do tempo”, por uma garotinha, há 50 anos, contendo indicações de tragédias iminentes. O enredo leva John Koestler a interagir com essas tragédias, algumas ainda no futuro, já tentando impedi-las.

Presságio não é um filme evangélico, classificando-se mais como uma história de suspense e até de algum, bem arquitetado, terror. Sua história, bem desenvolvida e com hábil direção, prende a atenção do início ao fim do filme. Os efeitos especiais são de tirar o fôlego, demonstrando como a tecnologia nessa área, vai sempre superando as últimas apresentações, mesmo quando aparenta que tudo o que podia ser aperfeiçoado já foi conseguido. A história do filme, entretanto, se descortina em cima de temas evangélicos e se presta a uma boa discussão de grupo. Os seguintes pontos podem refletir temas cristãos e fornecer a oportunidade de apresentá-los corretamente, como a Bíblia os revela:

1. Há propósito no universo? Koestler possui uma visão nihilista da vida. Para ele as coisas acontecem sem qualquer relação de causa e efeito, randomicamente. Não há propósito maior no universo. Não há causa inicial e não há destino final. Isso ele ensina tanto ao seu filho (apesar de deixar a opção, politicamente correta, mas mal acomodada: “se você quiser acreditar, acredite”), como à sua classe de universitários sedentos. O interessante é que ele próprio, apresentando o ponto de vista do projeto inteligente, indica as evidências cósmicas para tal. Pegando modelos de madeiras dos componentes do sistema solar, diz algo assim: “o que terá colocado esse pequeno planeta azul exatamente na distância correta do Sol, de tal forma que a vida é possibilitada, nele, com a temperatura e condições exatas”? No entanto, descartando a própria evidência que apresenta (e que tem como resposta a existência de um Criador), ele declara acreditar na aleatoriedade e pura chance desse posicionamento da terra, e ausência de propósito não só para o universo, mas para as vidas que o habitam. Reflete, dessa maneira, os milhares de cientistas, cuja profissão e atividades só se fazem possíveis, pela sistematização, ordem e propósito do universo, mas que descartam a existência do Deus Criador Inteligente, como origem de tudo e de todos, e como Aquele que dá sentido e propósito à vida.

2. Profecias provam que há algo mais por trás do que se enxerga. John Koestler irá mudar de idéia, e modificará sua cosmovisão, admitindo que existe muito mais do que a sua percepção finita e imperfeita da vida e das circunstâncias o fizeram concluir, até então. Não, isso não se dá por uma conversão, no sentido cristão, nem por leitura da Bíblia, mas pelo contato que tem com as profecias que se constituem no tema do filme (não vamos contar toda a história, para não estragar o suspense dos que ainda não conhecem a história). No entanto, nós cristãos cremos exatamente que as profecias Bíblicas – tanto as que já se cumpriram, como as que ainda estão por si cumprir, emanam do Deus todo poderoso. Elas revelam que ele está em controle.

Na teologia reformada aprendemos que o conhecimento prévio não se constitui na base do plano de Deus (capítulo III, seções 1 e 2, da Confissão de Fé de Westminster), mas exatamente porque ele planejou tudo, na eternidade, com perfeição, ele conhece o que acontecerá, e assim revela (Is 14.24 e 46.9-10), quando lhe apraz. As profecias são grande evidência de que existe muito mais, por trás do que os nossos sentidos apreendem. É verdade, também, que somos alertados a não dar crédito a falsas profecias, e, no caso do filme, temos uma história inventada, que recorre a profecias “auxiliares e extemporâneas”. Como cristãos, crentes nas Escrituras, devemos ter a percepção e convicção que a Bíblia traz tudo que é necessário ao nosso conhecimento religioso e de projeção de vida, tanto no que diz respeito ao passado, como quanto às que ainda haverão de vir. Em vez de ansiedade e preocupação, somos alertados a estar sempre preparados para o nosso encontro com Deus.

3. O fim vem! Durante a maior parte do filme a preocupação maior é em decifrar as indicações das tragédias passadas, bem como as que ainda estão por vir, mas vai ficando claro que o problema à frente é bem maior! Estamos lidando com a destruição da vida na terra – e essa virá em grande paralelo ao que a Bíblia declara: com os elementos ardendo (2 Pe 3.10-12). O filme leva o enredo a uma situação de grande tensão, quando o fim é projetado por circunstâncias cósmicas (que deixaremos de detalhar). Há um período de desagregação social, onde a frágil matiz de justiça da sociedade se desvanece, e, logo a seguir, vem o fim. Prepare-se para uma das mais perfeitas seqüências de efeitos especiais. Elas nos dão um vislumbre de como poderá ser, realmente, o final dos tempos. Ainda que nunca venhamos conseguir a ter a percepção completa do horror daquele momento, é uma boa ocasião para discutir a iminência do julgamento divino e a certeza das profecias escatológicas. Talvez até essa parte possa ser projetada em um grupo de estudo, ou classe de Escola Dominical, para inicio de um debate escatológico.

Além desses três, vários outros temas evangélicos permeiam a história. Outros pontos de contato podem ser os anjos (ruins ou bons?), que aparecem na história e, eventualmente, interagem com os demais personagens; o pai do John Koestler, pastor, com o seu sermão anual centralizado no tema “não desprezeis profecias” (1 Ts 5.20); o reatamento das relações entre pai e filho; as referências às profecias de Ezequiel; uma magistral reconstrução, por efeitos especiais, das rodas concêntricas dos “seres viventes” (Ez 1.15-21 e 10.6-17); e a idéia e visão de “novos céus e de uma nova Terra”. Todos esses, podem resultar em proveitosas discussões, sempre convergindo a atenção e exame sobre o que a Bíblia realmente tem a dizer, sobre essas questões, e qual a aplicação prática das verdades bíblicas às nossas vidas.

Muitos outros filmes, além de Presságio, têm apresentado uma visão do final dos tempos, como, por exemplo, “O Dia depois de Amanhã” (2004), no entanto, esses outros filmes apresentam o fim de forma diferente dos registros da Bíblia (no “Dia depois de Amanhã” – a catástrofe final é um dilúvio e uma nova era glacial). O que chama atenção, em Presságio, é exatamente o paralelismo sobre a forma do fim. No entanto, devemos estar alertas exatamente para a grande diferença e para a ausência de elementos cruciais à representação das Escrituras: não há qualquer menção à segunda vinda de Cristo; consequentemente não há mensagem, palavra ou esperança de salvação. A esperança, no filme, não é expectativa de certeza de livramento, do cristão, mas apenas um tênue e frágil desejo de que tudo termine bem. E, enquanto o filme fala de “eleitos”, o seu numero e representação, no “novo céu e na nova terra”, muito difere do que a Bíblia nos ensina sobre essa questão, em Ap. 7.9: “… vi, e eis grande multidão que ninguém podia enumerar, de todas as nações, tribos, povos e línguas, em pé diante do trono e diante do Cordeiro, vestidos de vestiduras brancas, com palmas nas mãos”.

Solano Portela
Extraído do blog O Tempora O Mores!
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6 respostas para Presságio: reflexões existenciais e escatológicas, a partir do filme

  1. Ricardo disse:

    Olá, fiquei bastante perturbado com o filme e gostaria de discutir alguns pontos dele, se alguém assistiu e tiver interesse replique.

    1-Achei estranho que no primeiro encontro de Nicholas com o ser (ET) ele abra a boca e saia luz da boca dele.

    2-Somente os coelhos foram permitidos ?

    3-Porque a Abby diz que a mãe estava bem agora ?

    4-Os seres (ET) parecem mostrar asas quando suindo para a nave, só eu vi isso ?

  2. Allan disse:

    filmaço!
    recomendo para todos e espero que algo assim realmente aconteça para purificar essa humanidade cega pela ganancia.
    um filme épico!

  3. baeta disse:

    Olá Ricardo.

    Fique tranqüilo, não foi somente você que notou estes pontos no filme(rsrsrs).

    Na verdade, como foi relatado no artigo, Presságio não é um filme cristão, porém possui grande semelhanças com temas cristãos.

    O diretor do filme, Alex Proyas, propositalmente dá ao público uma interpretação ambígua do filme. Não se sabe necessariamente a interpretação definitiva que ele dá para os seres mostrados no filme. A cena final do arrebatamento(ou abdução) é baseada no capítulo 1 de Ezequiel, que fala da glória de Deus sendo manifestada e a aparição de querubins(anjos).

    o movimento ufólogo afirma que aquilo foi uma aparição alienígena, algo que, como cristão, discordo totalmente.

    Pois é, os seres apresentam asas, porém também são parecidos com ETs. Ambas as possibilidades são apresentadas e o diretor não faz nenhum sacrifício para esclarece-las.

    A abby disse que a ma estava bem porque provavelmente os seres disseram isso para ela, hehe, lembrando que o filme não é cristão.

    Espero ter solucionado algumas questões.

  4. baeta disse:

    Oi Allan!

    Algo desse tipo realmente vai acontecer, segundo a Bíblia( não necessariamente como mostrado no filme).

    Pesquise algo como Novos Céus e Nova terra em sites cristãos, preferencialmente evangélicos.

  5. Leandro disse:

    Prestarao atençao que no final aparece aquela arvore sozinha no campo seria ela a “arvore” da vida que é descrita na biblia?

  6. rabbi disse:

    Olá!

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